Foto: Daniel Wainstein
 
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Antonio Maciel Neto
"Podemos ser os melhores do mundo"
À frente da Suzano Papel e Celulose, executivo assume o desafio de expandir os negócios da empresa e diz que o setor é um dos poucos em que o Brasil pode virar referência mundial


Por aline lima

O engenheiro Antonio Maciel Neto, 48 anos, fez sua fama no mercado como salvador de empresas em crise. Foi assim com o grupo Itamarati, com a fabricante de cerâmica Cecrisa e, por último, com a Ford. Na montadora, o executivo rejuvenesceu a marca, aumentou as exportações e, mais importante, tingiu os resultados de azul. Agora Maciel tem um desafio diferente. Na Suzano Papel e Celulose, empresa que comanda desde abril, em vez de reestruturar, trabalhará em um grande projeto de crescimento. “Seremos a segunda maior produtora de celulose no mundo”, diz. A Suzano ocupa, atualmente, a sétima posição no ranking. Para alcançar a meta traçada, a empresa está investindo US$ 1,3 bilhão na duplicação de sua fábrica de Mucuri, na Bahia, e criando empresas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia a fim de melhorar a distribuição de seus produtos no Exterior. Aplicado, Maciel busca todos os dias entender mais sobre o novo negócio, seja nas visitas a clientes, seja nas conversas com especialistas. Seu breve veredicto sobre o setor: “É um dos poucos em que o Brasil pode ter a pretensão de ser o melhor do mundo.”

DINHEIRO – Por que o sr. trocou a Ford pela Suzano Papel e Celulose?
MACIEL NETO
– Eu fiquei na Ford praticamente sete anos, quatro como presidente da Ford no Brasil e três como presidente para a América do Sul. A Ford saiu de um prejuízo de US$ 600 milhões, em 1999, para fechar 2005 com lucro de US$ 389 milhões. De uma montadora com risco de ser fechada, ela passou para a condição de empresa mais lucrativa da região. Meu ciclo foi fechado.

DINHEIRO – Qual o trabalho a ser feito na Suzano?
MACIEL
– A companhia tem um projeto grande de crescimento. Trabalhei muito, nos últimos 15 anos, na reestruturação de empresas. O trabalho na Suzano será uma coisa diferente. Trata-se de uma empresa boa, arrumada, lucrativa, e que vai dobrar de tamanho. Outra motivação é participar de forma mais efetiva do mercado de capitais brasileiro, já que a Suzano tem planos de ser um importante player. E para crescer vamos precisar acessar o mercado de capitais. Além disso, o setor de papel e celulose é um dos poucos em que o Brasil pode ter a pretensão de ser o melhor do mundo. Não me lembro de outro ramo em que o País possa, rapidamente, ser referência mundial. Outra motivação é que o crescimento da Suzano vai precisar de uma internacionalização grande. Minha amizade com a família Feffer me deu mais tranqüilidade para fazer essa mudança radical. Eu conhecia bem os acionistas e, mais importante, eles me conheciam.

DINHEIRO – Como o sr. tem se preparado para a nova função?
MACIEL
– Estou estudando bastante sobre o setor. Existe uma crença de que presidentes executivos não precisam ser especialistas, mas não pertenço a esta escola. Quero entender do negócio e por isso estou visitando clientes no Brasil e no Exterior com freqüência, ouvindo funcionários e consultando quem entende do assunto. Na minha agenda, por exemplo, de 15 em 15 dias tenho encontro marcado com Boris Tabacof (conselheiro), talvez um dos maiores especialistas do País.

DINHEIRO – Quais desafios foram propostos ao sr. pelos controladores?
MACIEL
– A empresa tem três pilares para a sua gestão: continuidade do controle familiar combinada com uma gestão profissional e atuação firme no mercado de capitais. Esse pontos foram acertados antes de eu vir para cá. No curto prazo, vamos manter a eficiência das operações, completar o processo de aquisição da Ripasa, adquirida em sociedade com a Votorantim Celulose e Papel (VCP), implementar o projeto Mucuri (na Bahia), um megaempreendimento de US$ 1,3 bilhão de investimento, além de cuidar da comercialização dessa produção, pois vamos colocar um milhão de toneladas a mais de celulose no mercado. Vamos também fazer um planejamento estratégico para os próximos dez anos e organizar melhor o time da Suzano.

DINHEIRO – Na Suzano Petroquímica foi adotada, recentemente, uma gestão compartilhada, com a presença de dois presidentes. Há chances de que isso ocorra na empresa de papel e celulose também?
MACIEL
– Isso você vai ter de perguntar ao David (Feffer, presidente do conselho).

DINHEIRO – Como a Suzano estará nos próximos dez anos?
MACIEL
– A Suzano é, hoje, líder da América Latina em diversos segmentos de papel. Mas a nossa estratégia é atuar de forma integrada. Com a expansão do projeto Mucuri, a empresa vai ter uma posição de destaque também na produção de celulose. A nova fábrica começa a operar em outubro de 2007 e, em 2009, estará a pleno vapor. Sairemos de uma produção anual de 550 mil toneladas para 1,7 milhão. Até 2015, nossa meta é sermos a segunda maior produtora de celulose no mundo.

DINHEIRO – Existem mais projetos pela frente?
MACIEL
– Acabamos de montar duas empresas, uma nos Estados Unidos e outra na Europa, para auxiliar na parte de comercialização e logística. Antes, operávamos lá fora com agentes terceirizados. Estamos trabalhando também na criação de uma outra empresa na Ásia, que deverá estar pronta no primeiro trimestre do ano que vem. Existem outras novidades, mas não posso falar antes de serem oficialmente aprovadas, pois a Suzano é uma empresa de capital aberto e isso pode afetar o preço das ações.

DINHEIRO – Os lucros da Suzano caíram 60% no segundo trimestre. Quais as perspectivas para este semestre?
MACIEL
– O resultado do segundo trimestre foi totalmente contábil. Do ponto de vista operacional, estamos melhor do que no ano passado. O que acontece é que quase 50% do nosso faturamento tem origem nas exportações, e o câmbio sofreu uma variação, no período, de mais de 20%. A empresa está bem, tanto que as nossas ações estão subindo e os analistas de mercado recomendando compra.

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