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Ser ou não ser competitivo
por
Carlos José Marques
E lá se foi pelo ralo uma condição que
tem feito toda diferença para países como o
Brasil que almejam avanços em tempos de globalização.
O País caiu nove posições no ranking
de competitividade global. O que isso significa? Que, para
o Brasil, ser competitivo deixou de ser prioridade. A tendência
se confirma mesmo numa análise de mais longo prazo.
Segundo o levantamento realizado pelo Fórum Econômico
Mundial, esse é o quinto ano consecutivo que o País
se afasta do topo da lista. Razões são de toda
ordem. Entre elas, uma ganhou especial peso: o aumento da
corrupção no setor público. Os fatores
ética e transparência estão em baixa tanto
no campo das autoridades governamentais como nas empresas.
É o que diz o estudo. No coquetel de entraves à
competitividade, problemas adicionais são de toda ordem.
O sistema tributário asfixiante, o regime trabalhista
ultrapassado, a ineficiência na burocracia estatal,
a falta de acesso ao financiamento e a precariedade da infra-estrutura,
entre eles. Na conseqüência mortal de viver esse
quadro, o Brasil cresce pouco. Cresce bem abaixo dos chamados
países emergentes. Cresce muito menos, quase a metade,
da média mundial. Competitividade e crescimento têm
tudo a ver. Negligenciar numa ponta é perder na outra.
O Brasil ainda padece do atraso das reformas urgentes, a listar:
trabalhista, previdenciária e política, para
ficar no que há de mais vital. O Brasil já começa
a ser malvisto até pelo antigo carrasco financeiro
global, o FMI. O Fundo vem alertando para qualquer investidor
desavisado que o País, nessa toada, segue uma marcha
da insensatez rumo ao estrangulamento de caixa. O FMI está
particularmente preocupado com o que considera um excesso
de endividamento brasileiro. Autoridades daqui argumentam
que não é bem assim. Dizem que o Brasil continua
competitivo sim. Sugerem que a avaliação das
agências de risco, que vêm revendo para baixo
o tamanho do risco Brasil, contrapõe-se ao dado do
Fórum. O fato é que competitividade e risco
são indicadores diametralmente opostos. Um pode influenciar
o outro, mas nenhum deles tem o poder de anular completamente
o revés alheio. Ser competitivo é meta essencial.

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